Durante muitos anos, a tabela fixa do TAP Miles&Go foi considerada uma das melhores oportunidades para viajantes que buscavam emitir passagens em Classe Executiva utilizando companhias parceiras da Star Alliance. Rotas para Europa, América do Norte e principalmente Ásia ofereciam excelente custo-benefício quando comparadas a diversos programas concorrentes.
No entanto, em maio de 2026, a TAP anunciou uma das maiores desvalorizações de sua história recente. Diversas regiões sofreram reajustes expressivos, com alguns aumentos ultrapassando 100%, impactando diretamente os viajantes que utilizavam o programa para emitir voos premium em companhias como Lufthansa, SWISS, Turkish Airlines, ANA, EVA Air, Air Canada e United Airlines.
A grande pergunta agora é: ainda existe valor no TAP Miles&Go ou estamos diante do fim de uma das melhores tabelas fixas do mercado? Neste artigo vamos analisar detalhadamente as mudanças, seus impactos e as alternativas mais interessantes para quem busca continuar viajando em Classe Executiva gastando o mínimo possível de pontos.
O que mudou na tabela fixa da TAP Miles&Go
A principal alteração promovida pela TAP foi o reajuste dos valores cobrados para emissões em companhias parceiras.
Historicamente, a tabela fixa representava uma grande vantagem porque permitia previsibilidade. Independentemente do preço em dinheiro da passagem, o viajante sabia exatamente quantas milhas precisaria para emitir um determinado trecho.
Com a atualização, praticamente todas as regiões sofreram aumentos significativos.
O maior impacto ocorreu nas rotas de longa distância, especialmente aquelas que ligam a América do Sul à Ásia, tradicionalmente consideradas uma das melhores utilizações das milhas TAP.
A justificativa oficial foi o alinhamento da tabela às condições atuais do mercado e aos custos crescentes das emissões em parceiros. Entretanto, para os clientes, o resultado foi uma forte perda de valor do programa.
Principais aumentos nas emissões com parceiros
Os reajustes foram particularmente severos nas cabines premium, .
Entre os exemplos mais relevantes observados após a atualização:
| Rota | Antes | Depois |
|---|---|---|
| América do Sul → Ásia Econômica | 95.000 | 210.000 |
| América do Sul → Ásia Executiva | 140.000 | 300.000 |
| América do Sul → Europa Executiva | 120.000 | 130.000 |
| América do Sul → América do Norte Executiva | 95.000 | 105.000 |
O caso da Ásia chama especialmente atenção.
Uma emissão em Classe Executiva que anteriormente exigia 140.000 milhas passou para 300.000 milhas, representando um aumento superior a 114%.
Na prática, isso significa que um viajante que antes emitia duas passagens utilizando determinado saldo agora pode emitir apenas uma.
Como ficaram as emissões para Europa, América do Norte e Ásia
Europa
A Europa sempre foi o principal destino dos brasileiros utilizando a TAP.
Apesar do aumento, ainda existem situações onde o programa pode apresentar alguma competitividade, principalmente durante promoções de transferência bonificada.
Mesmo assim, programas concorrentes passaram a oferecer melhor relação custo-benefício em diversas situações.
América do Norte
Rotas operadas por United e Air Canada também perderam atratividade.
O aumento reduz significativamente o valor percebido do programa, especialmente quando comparado com alternativas como Aeroplan e MileagePlus.
Ásia
A Ásia foi, sem dúvidas, a região mais afetada.
Muitos dos famosos sweet spots para voar ANA, EVA Air, Singapore Airlines e outras companhias premium praticamente deixaram de existir.
O aumento transformou algumas emissões que antes eram consideradas excelentes em opções pouco competitivas.
Os sweet spots que desapareceram
Durante anos, os especialistas em milhas recomendavam a TAP para determinadas emissões específicas.
Entre elas:
- Voos ANA para o Japão.
- Voos EVA Air para Taiwan.
- Voos Turkish Airlines para o Oriente Médio.
- Voos Lufthansa para Europa.
- Voos Air Canada para América do Norte.
- Conexões complexas na Star Alliance.
Esses resgates ficaram famosos porque entregavam valor muito acima da média.
Com a nova tabela, muitos deles perderam completamente o diferencial competitivo.
Isso não significa que deixaram de existir, mas sim que passaram a competir com alternativas mais vantajosas.
Ainda vale a pena acumular milhas TAP?
A resposta depende do perfil do viajante.
Para quem possui acesso frequente a campanhas agressivas de transferência bonificada, o programa ainda pode apresentar oportunidades ocasionais.
Por outro lado, acumular milhas TAP sem um objetivo específico tornou-se uma estratégia mais arriscada.
A recente desvalorização demonstra que nenhum programa está imune a reajustes significativos.
Por isso, cada vez mais especialistas recomendam manter pontos em programas flexíveis pelo maior tempo possível antes da transferência.
Melhores alternativas ao TAP Miles&Go em 2026
Aeroplan
O programa da Air Canada continua sendo uma das referências mundiais para emissões Star Alliance.
Principais vantagens:
- Grande disponibilidade.
- Stopover por baixo custo.
- Excelente ferramenta de busca.
- Acesso a praticamente toda a Star Alliance.
LifeMiles
O programa da Avianca continua extremamente competitivo para emissões premium.
Destaques:
- Promoções frequentes.
- Baixas taxas.
- Ótimos valores para Classe Executiva.
MileagePlus
Embora muitas vezes seja subestimado, o programa da United oferece boa disponibilidade e simplicidade.
Avios
Os programas Avios continuam sendo uma excelente alternativa para determinadas rotas, especialmente em companhias parceiras da Oneworld e suas parceiras.
O que fazer se você ainda possui saldo TAP
Se você já possui milhas acumuladas no programa, algumas estratégias podem minimizar o impacto.
Emitir antes de novos reajustes
O histórico dos programas de fidelidade mostra que desvalorizações costumam ocorrer em ciclos.
Quanto mais tempo as milhas permanecem paradas, maior o risco.
Buscar oportunidades específicas
Mesmo após a mudança, algumas rotas podem continuar apresentando valor aceitável.
Evitar acumular sem objetivo
O foco deve ser acumular com propósito e emitir rapidamente.
Estratégias para continuar voando em Classe Executiva gastando menos
O cenário atual reforça uma lição importante para qualquer entusiasta de viagens premium:
Diversificação é fundamental.
Ao invés de concentrar todo o saldo em um único programa, torna-se mais interessante distribuir os pontos entre programas flexíveis e aproveitar oportunidades conforme surgem.
Outra estratégia importante é acompanhar promoções de transferência bonificada, que podem reduzir significativamente o custo efetivo da emissão.
Por fim, conhecer múltiplos programas aumenta a capacidade de encontrar disponibilidade e proteger o valor dos pontos acumulados.
Conclusão
A atualização da tabela fixa da TAP Miles&Go marca um dos momentos mais significativos da história recente do programa.
Embora a TAP continue oferecendo acesso a uma ampla rede de parceiros da Star Alliance, os aumentos implementados reduziram drasticamente o valor de muitos dos resgates que tornaram o programa popular entre os viajantes premium.
Para quem busca maximizar o retorno de suas milhas, o momento exige adaptação. Programas como Aeroplan, LifeMiles, MileagePlus e Avios ganham ainda mais relevância dentro de uma estratégia diversificada.
A principal lição deixada por essa mudança é simples: pontos e milhas são uma moeda sujeita à inflação. Quanto mais rapidamente você transformar seus pontos em experiências de viagem, menor será sua exposição a futuras desvalorizações.
Perguntas Frequentes
1. Quando a nova tabela da TAP entrou em vigor?
As alterações passaram a valer em maio de 2026.
2. Qual foi o maior aumento realizado pela TAP?
As emissões entre América do Sul e Ásia foram as mais impactadas, com aumentos superiores a 100%.
3. A TAP Miles&Go ainda vale a pena?
Em algumas situações específicas sim, mas perdeu grande parte de sua vantagem competitiva.
4. Qual o melhor substituto para a TAP hoje?
O Aeroplan aparece como uma das alternativas mais completas para emissões Star Alliance.
5. Devo transferir meus pontos para a TAP agora?
Em geral, não é recomendado transferir pontos sem um objetivo definido de emissão. O ideal é manter os pontos flexíveis até encontrar uma oportunidade concreta.